Hipertexto e Educação




::. Hipertexto na Educação Kassandra Brito de Carvalho

 


Mestranda em Educação pela Universidade
Estadual de Campinas/SP - Grupo de Pesquisa TIC´s
Especialista em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação pela PUC-SP
Pedagoga e Orientadora Educacional pela Universidade São Marcos/SP
Professora de Informática das Faculdades Cathedral em Boa Vista - Roraima
kassandra@roraimaweb.com
fone: 95-623-9487

Introdução
Concebido em 1945 por Vannevar Bush e batizado com o nome de hipertexto em 1965 por Ted Nelson, a lógica não linear de apresentação e composição das informações deram ao mundo uma nova forma de interface com a comunicação.
O Hipertexto é uma forma de organização não-linear de informação que "permite situar assuntos distintos inter-relacionados em diferentes níveis de aprofundamento, proporcionando a personalização do processo de ensino-aprendizagem e permitindo ao usuário trabalhar em seu próprio ritmo, nível e estilo, adequando às suas características e interesses" (Bugay & Ulbricht apud Martin, 1992).
A idéia de hipertexto nasce da investigação sobre o funcionamento da mente humana onde as interpretações são construídas por associações formando uma rede intrincada. Bush pensou num mecanismo que utilizá-se o mesmo processo de acesso aleatório à memória para permitir a consulta de dados de uma forma rápida e flexível.
Para alguns estudiosos, o hipertexto é uma estrutura interativa de apresentação que possui três componentes principais: uma base de dados textual; uma rede semântica entre diferentes unidades temáticas e ferramentas informáticas. Sua navegação é baseada em elementos gráficos conhecidos por ícones, que interligam-se à base de dados, à rede semântica e às unidades temáticas através de um mecanismo conhecido por link.

Características do hipertexto
Segundo Lévy (1993), o hipertexto possui seis princípios abstratos que permitem preservar as múltiplas interpretações do modelo de hipertexto:
" O princípio da metamorfose - a rede está em constante construção e renegociação com todos os elementos que a compões, sejam eles humanos ou objetos midiáticos.
" O principio da heterogeneidade - os elementos de conexão são heterogêneos. Permiti colocar "em jogo pessoas, grupos, artefatos, forças naturais de todos os tamanhos, com todos os tipos de associações que pudermos imaginar" entre eles.
" O princípio da multiplicidade e de encaixe de escalas - coloca a capacidade de organização de forma fractal. Qualquer nó ou conexão pode se analisado como parte de toda uma rede.
" O princípio de exterioridade - seu universo depende de um exterior indeterminado. Seu crescimento e diminuição dependem de novos elementos externos à ele.
" O princípio de topologia - "A rede não está no espaço, ela é o espaço". Tudo funciona por proximidade.
" O princípio de mobilidade dos centros - A rede possui diversos centros saltando de um nó a outro. Não existe um centro único.

Navegação no hipertexto
A navegação em um documento hipertextual resulta na construção de conhecimento, cuja navegação não-linear, interativa e subjetiva remonta um documento maior. Sendo assim, "a rede de conhecimentos 'flutua' pelo documento, sem fazer parte do mesmo. Dentro de um sistema, um mesmo conjunto de documentos é utilizado por diversos hipertextos independentes, cada um materializando um conhecimento diferente de informações." (Bugay & Ulbricht, 2000).
Para Lévy (1993), navegar em um hipertexto equivale a desenhar um percurso em um rede onde cada nó pode conter a rede inteira:
"a memória humana está estruturada de tal forma que nós compreendemos e retemos bem melhor tudo aquilo que esteja organizado de acordo com relações espaciais (...) o domínio de uma área qualquer do saber implica, quase sempre, a posse de uma rica representação esquemática. Os hipertextos podem propor vias de acesso e instrumentos de orientação em um domínio do conhecimento sob a forma de diagramas de redes ou de mapas conceituais manipuláveis e dinâmicos. Em um contexto de formação, os hipertextos deveriam portanto favorecer, de várias maneiras, um domínio mais rápido e mais fácil da matéria do que através de audiovisual clássico ou do suporte impresso habitual."
A navegabilidade de um ambiente hipertextual corresponde a facilidade do usuário em encontrar a informação. Esta deve estar disponível em forma de páginas ligadas por links e deve ser intuitiva, permitindo o usuário fácil localização da informação.

Nós e Links
Entendemos por link, a forma pela qual as páginas de um documento hipertexto se interligam proporcionando também uma forma de interação. Os informatas chamam essa operação de indexação.
O trabalho com hiperdocumentos exige também o conhecimento de alguns elementos próprio às ligações de documentos ou arquivos. Chama-os de nós e links.
As páginas web são carregadas de nós, que muitas vezes estão dispostos em um único quadro ou janela. Um nó é uma informação expressa em forma de quadro ou janela. Essa forma de dispor o texto, nos dá a flexibilidade não-linear de trabalho com múltiplas mídias.
Um link é uma ligação dentro de um mesmo nó ou entre outros nós. Por exemplo, é possível fazermos links dentro de um mesmo documento para indicarmos informações complementares do mesmo documento ou ligarmos as informações externas. Quando usamos o link dentro de um mesmo documento, chamamos-o de âncora.
Podemos usar links direcionados a documentos textuais, imagens, vídeo, som e animações. A importância está em indicarmos apenas complementos da informação. Por exemplo, uma imagem pode conter um link para execução de um som, fortalecendo assim, uma melhor assimilação do conceito a ser compreendido.

Por que trabalhar com hipertextos na educação?
Segundo Bugay & Ulbricht apud Rhéaume, (1993), "os ambientes Hipermídias são excelentes ferramentas de trabalho autônomo, permitindo que os usuários se deparem com situações de ação e de criação".
Para Lévy,
"Funcionalmente, o hipertexto é um tipo de programa para a organização de conhecimentos ou dados, a aquisição de informações e a comunicação. (...). Estes programas (...) permitem, (...) a construção de bases de dados com acesso associativo, muito imediato, intuitivo, combinando som, imagem e texto. (...) Um sistema de hipertexto retoma e transforma antigas interfaces da escrita." (LÉVY, 1993, p. 33).
A escolha por trabalhar com hipertexto na educação vai ao encontro das teorias pedagógicas que defendem a autonomia, a interação e construção de conhecimentos. Nossa memória compreende melhor aquilo que está organizado em esquemas e com representações espaciais. O hipertexto é uma representação espacial permitindo acesso por meio de redes e tramas, essa representação, propicia a interatividade e pode favorecer a compreensão melhor do que se conhece. Um sistema de hipertexto apresenta três características:
1. aleatoridade ao acesso à informação;
2. flexibilidade para ir e voltar;
3. forma estrutural de rede.
O trabalho com hipertextos permite trabalharmos de duas formas complementares: forma usuário e a forma autor. Na forma usuário, utiliza-se a navegação entre os nós e links do documento, numa interação autônoma - o leitor constrói o seu texto a medida que forma seqüências diferenciadas conforme seu interesse. Ele decide a navegação que faz no hipertexto. Na forma autor, cria-se uma rede semântica entre as informações do hipertexto e os elementos midiáticos que o amplificam. Em ambas as formas, a lógica da exploração do documento se dá pela não linearidade.

A Hipermídia
Hipermídia é a versão computadorizada do Hipertexto com a Multimídia, que permite ao usuário, interagir dentro do próprio documento através de texto, som, gráficos, imagens, simulações, animações e processamento de programas e vídeo.
A palavra Hipermídia em termos informáticos é "uma base de dados textuais, visuais, gráficos e sonoros, onde cada ilha de informação é denominada de nó ou quadro" (Bugay & Ulbricht apud Rhéaume, 1993).
A Hipermídia possui algumas características de composição, para que o assunto abordado possa ser visto sob formas diversas, onde cada informação deve ser bem explícita e autônoma, contendo uma idéia bem articulada e identificada por um título.
É preciso também que as informações estejam divididas em pequenas unidades ou blocos, organizadas e que contenham a informação sob um determinado aspecto.
Existem diferentes suportes à hipermídia como o CD-ROM, o DVD, celulares, a Web, entre outros.

Desafios de se trabalhar com documentos hipermidiáticos
Segundo alguns autores, a navegação em ambientes hipermidiáticos tem alguns desafios de ordem técnica e epistemológica:
Para muitos, "a exploração de uma vasta base de dados é feita a esmo, sem qualquer organização. A desarticulação das mensagens e sua multiplicação no tempo e no espaço cria a ilusão de conhecimento, onde a superficialidade é a conseqüência mais grave. A solução para este problema está no próprio usuário que deve se ater a resolver um determinado questionamento." (Bugay & Ulbricht, 2000).
Algumas vezes, a navegação em um hipertexto é acompanhada de um certo desconforto pois, diferente do suporte espacial do papel, o hipertexto se apresenta na potencialidade da não linearidade. O mapa mental que o usuário deverá fazer poderá deixá-lo inseguro como se perde-se a referência do geral. Um usuário pouco experiente pode se sentir desconfortável e se perder nos inúmeros nós e links do documento.
Independente da experiência do usuário, é indicado que um ambiente hipertextual deva apresentar algumas ferramentas orientadoras à navegação, ser lógico na sua estrutura e interativo na comunicação entre usuário e documento. Alguns autores apresentam algumas ferramentas de ajuda ao usuário na exploração de uma determinada informação como, os backtracks (ferramenta de ir e voltar), as visitas guiadas, o histórico, os bookmarks (marcadores), os mapas-sumários, os sumários com nível de detalhe variável, a utilização de pontos de referência no sumário e o reagrupamento dos nós em classe de nós religados por ligações a partir das heranças de ligações e as opções de buscadores internos e externos.
Todas essas ferramentas orientam o usuário a acessar, articular e comparar dados, tarefas imprescindíveis quando pesquisamos em documentos hipermidiáticos. A arte de se orientar num universo novo e espacialmente diferente do convencional nos indica que navegar em ambientes não lineares é também um excelente exercício cognitivo que favorece a autonomia intelectual.

Bibliografia
BUGAY, E. L. ; ULBRICHT, V. R. Hipermídia. São Paulo: Visual Books, 2000.
LÉVY, P. As Tecnologias da Inteligência. São Paulo : Editora 34, 199

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